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Monte Verde Festival

Dealema em entrevista ao Açoriano Oriental

Entrevista: Carolina Moreira @ Açoriano Oriental

Os Dealema vêm ao Festival Monte Verde no próximo dia 8 de agosto. Tendo em conta que é a primeira vez que a banda se desloca aos Açores, o que se pode esperar do concerto na Ribeira Grande?

Como será a primeira vez que os Dealema tocam em solo açoriano e visto que a banda existe desde 1996, vamos tentar fazer uma viagem sonora pelos nossos álbuns todos, para que as pessoas que nos seguem possam desfrutar das músicas que provavelmente nunca ouviram ao vivo. A intenção é fazermos esta viagem entre o passado e o presente para que as pessoas possam ouvir um pouco de toda a história dos Dealema.

Podemos então afirmar que não se vão cingir ao último álbum, "Alvorada da Alma", vão sim passar um pouco pelos mais de 20 anos de carreira da banda?

Exatamente, vamos começar pelo álbum homónimo de 2003 e terminar no último, de 2013, que é o "Alvorada da Alma".

O Mundo Segundo, em parceria com o artista Sam The Kid, fez parte do cartaz de 2016 do Monte Verde. Qual foi a sua impressão do público açoriano?

Foi incrível! Tanto o público como a ilha são incríveis! Tivemos a possibilidade de passar alguns dias a conhecer a ilha de São Miguel, aliás foi a primeira vez que fui aos Açores, e sem dúvida que se trata de um público muito quente e uma ilha muito rica em vários aspetos.

Na edição do Monte Verde de 2019, vão estar também presentes novos nomes do hip-hop português, como o Profjam e o Plutónio. O que acha do estado do hip-hop atualmente em Portugal?

Neste momento, o hip-hop respira saúde, porque finalmente estamos nos festivais todos. Quase todos os festivais de música por todo o país e não só, pelo mundo fora, têm sempre artistas de hip-hop como headliners, por isso acho que atravessamos um dos melhores momentos, se calhar até o melhor, do hip-hop desde a sua génese. Além disso, existem muitos grupos com um bom nível, a fazer estrada com música e álbuns sólidos. Vivemos um dos melhores momentos, sem dúvida, do hip-hop nacional.

Tem essa opinião mesmo ao nível de sonoridade, de batidas e de rimas?

Sem dúvida, porque hoje em dia com o crescimento, existe todo o tipo de sabores e texturas dentro do hip-hop que podem ir do hip-hop clássico ao trap mais moderno. Acho que todos esses sabores enriquecem a cultura em si e fazem com que o público também seja mais amplo e mais transversal.

Relativamente aos mais de 20 anos de carreira dos Dealema, qual é o segredo para estarem há tanto tempo juntos a fazer música?

Acho que, no fundo, o segredo é a amizade, o respeito e o amor que todos temos por esta arte que é o hip-hop. Foi isso que nos uniu no início, começámos a fazê-lo porque era uma forma de nos encontrarmos e partilharmos as nossas ideias e os nossos sentimentos. Eventualmente, acabou por se converter num projeto - os Dealema.

Sendo que a vossa primeira atuação nos Açores será num festival e inevitavelmente haverão pessoas que não vos conhecem, como é que descreve os Dealema?

Nós somos cinco indivíduos, quatro MC's e um DJ, muito singulares, muito diferentes uns dos outros. Vimos todos de universos diferentes, temos todos um estilo muito próprio e o facto de não termos crescido todos juntos e termos uma personalidade e um caráter muito diferentes funciona. Eu, pessoalmente, acho que somos dos poucos quintetos ou coletivos de hip-hop que transmite um certo tipo de adrenalina ao vivo que, só quem consegue ir a um concerto nosso, consegue presenciar e sentir essa diferença e essa união que nós temos. Os Dealema têm sempre concertos repletos de adrenalina, nós somos uma banda de tocar ao vivo e isso é uma das coisa que nos diferenciam de outros projetos.

Como está a correr o vosso verão a nível de espetáculos?

Temos bastante trabalho agora em agosto, vamos estar em Guimarães, em Évora, vamos estar no Beat Fest no Gavião, que é o primeiro festival de hip-hop nacional, e por muitos mais sítios. Sem dúvida que vai ser um verão animado para nós. Em relação ao Monte Verde, gostaria de convidar todos os açorianos a comparecerem no nosso concerto, porque se trata de um festival de grande dimensão que vale a pena, além de que as bandas são todas incríveis.